A soja é uma cultura muito exigente em relação a todos os nutrientes essenciais, que devem estar presentes no momento e quantidade corretos para que sejam eficientemente aproveitados. Um destes nutrientes vem sendo alvo de vários estudos e discussões: o manganês.
O manganês é classificado como micronutriente e exerce importantes funções dentro da planta, como: participação na fotossíntese; participação no metabolismo do nitrogênio; precursor de aminoácidos, hormônios, fenóis e ligninas. Sua deficiência causa diminuição da fotossíntese e da produtividade. O sintoma da deficiência é o aparecimento de manchas cloróticas entre as nervuras das folhas superiores, permanecendo as nervuras e uma parte do tecido ao redor delas com coloração verde, acentuando a deficiência, a clorose se torna generalizada. A deficiência é constatada em folhas novas, pois, uma vez incorporado, o manganês não pode ser retranslocado (WOOD et al., 1986).
Algumas vezes, as folhas novas e com deficiência podem manter os sintomas enquanto aquelas que se desenvolveram depois, em estádio fisiológico mais avançado, podem ter aparência de folha saudável, sem o problema. Isto pode ocorrer por mudanças das condições climáticas ou porque as raízes cresceram para um horizonte mais abaixo, com solo ácido, e que, portanto, tenha maior disponibilidade de manganês na solução do solo.
Isto se deve ao fato de que muitas vezes o calcário é incorporado com grade a pouca profundidade, ocorrendo um excesso do mesmo a 5 ou 10 cm, com elevação do pH acima de 7,0. Isto é muito comum em áreas de plantio direto, onde a calagem é realizada em superfície.
Don Huber (Purdue University) também verificou que os fatores como alto pH, calcário, fertilizantes nitrogenados na forma de nitrato, matéria orgânica e baixa umidade do solo podem diminuir a disponibilidade de manganês no solo e, em conseqüência, aumentar a predisposição da planta às doenças.
É comum verificarmos no dia a dia, comentários de agricultores sobre diminuição de produtividade com o uso de soja transgênica. É preciso levar em consideração que ao adotarmos esta nova tecnologia (Organismo Geneticamente Modificado – OGM), temos que fazer algumas alterações no nosso manejo. Não basta apenas mudar a variedade e o tipo de herbicida. É necessário fazer ajustes na área nutricional. Caso contrário, pode haver frustrações em relação à produtividade das transgênicas.
Segundo GORDON (2007), o gene adicionado na soja transgênica deve ter alterado outros processos fisiológicos na planta e o herbicida glyphosate pode retardar a absorção e a translocação do manganês na planta ou ter efeito adverso nas populações de microrganismos do solo, promovendo uma deficiência em relação à absorção pelas raízes.
Tendo em vista a deficiência acentuada de manganês na cultura da soja transgênica com o uso do glifosato, os agricultores têm usado adubos foliares com manganês (na forma de sais) em mistura com o herbicida, porém vários estudos mostram que a presença de manganês e outros cátions na calda de pulverização com glifosato reduzem a eficácia deste herbicida devido à formação de complexos (BAYLEI et al.,2002; BERNARDS et al., 2005).
Portanto o uso de manganês na forma de sais (cloretos e sulfatos) prejudica a eficiência de ambos os produtos. Já o uso de produtos quelatados mostra o mínimo antagonismo nas misturas de Mn e glifosato.
Os quelatos de aminoácido (Metalosate Manganês), também são produtos que não apresentam antagonismo com o glifosato e que, portanto, não interferem em sua ação e não são afetados pela presença do glifosato na planta. A grande vantagem deste tipo de produto é a sua rápida absorção e translocação pelas plantas de soja, pois necessita de minutos para estar dentro da planta enquanto que as outras fontes (sais) necessitam de dias.
A tecnologia dos OGM veio para ficar e aumentar seu uso nas áreas de cultivo de soja no Brasil. Para que este aumento de área também possa refletir em aumento de produtividade será importante atentarmos aos detalhes que envolvem a nutrição desta cultura, principalmente no que se refere ao Manganês, Fósforo, Potássio e Ferro.
(Colaboração: Eng. Agrônomo Junior Schreiner e Ana Paula Schimidt)






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